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04/01/2010 Em 2010, Ministério da Educação quer consolidar Enem Em 2010, um dos principais desafios do Ministério da Educação
será conseguir fazer uma edição menos turbulenta do Exame
Nacional do Ensino Médio (Enem). O que começou em maio com
uma ideia do ministro Fernando Haddad de unificar os
vestibulares do país terminou com o roubo da prova e a
consequente saída do presidente do Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, meses
depois.
Depois que as provas do Enem foram roubadas e o exame teve
de ser remarcado, Haddad defendeu que grandes avaliações
deveriam estar livres da lei de licitações. Segundo ele, esse foi o
motivo para que um consórcio que não tinha a experiência
necessária ficasse à frente do exame.
O ministro sugeriu que o Estado tivesse uma estrutura para atuar
na organização de concursos e citou o Centro de Seleção e
Promoção da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) como uma
instituição estatal que tinha inteligência acumulada para fazer
esse serviço. Foi justamente o diretor-geral do Cespe, Joaquim
José Soares Neto, que assumiu a vaga de Fernandes com a
missão de "consolidar" o exame.
O Enem foi criado em 1998 e é voluntário. Mas a participação
cresceu muitos nos últimos anos depois que ele passou a ser pré-
requisito para estudantes que querem pleitear uma bolsa no
Programa Universidade para Todos (ProUni).
Para 2010, o plano do MEC era mais ambicioso. A ideia era que
o exame substituísse, gradualmente, o vestibular de todas as
universidades federais. Reitores reuniram seus conselhos
universitários e foi grande a adesão: mais de 40 das 55
instituições federais incorporaram o Enem aos seus processos
seletivos, além de algumas universidades estaduais.
A prova foi reformulada, cresceu em tamanho e em conteúdo.
Mais de 4 milhões de inscrições chegaram até o Inep. Tanta
expectativa foi frustrada às vésperas do exame, marcado para os
dias 3 e 4 de outubro. Um dos funcionários do Consórcio Nacional
de Avaliação e Seleção (Connasel), responsável pela realização
da prova, roubou alguns exemplares da gráfica que imprimia o
material e tentou vendê-los ao jornal Estado de S. Paulo.
Descoberta a fraude, o MEC decidiu adiar o exame.
Em menos de uma semana o exame foi remarcado, o Connasel
foi retirado da organização, e o Cespe e a Cesgranrio assumiram
a prova. Polícia Federal, Forças Armadas e Correios foram
chamados para ajudar na força-tarefa. O dinheiro que já havia
sido pago ao Connasel para imprimir as provas mais de R$ 30
milhões ainda não foi ressarcido. Diversas instituições tiveram que
remarcar a data de seus vestibulares para não chocar com o novo
calendário do Enem e algumas desistiram de usar a nota do
exame.
Em dezembro a prova foi aplicada e na avaliação do MEC, o
processo ocorreu "com tranquilidade". Mas o índice de abstenção
registrado foi recorde: quase 40%. Menos de 15 dias depois,
Reynaldo deixou o cargo. Em carta enviada aos funcionários do
Inep, disse que "não sai feliz, mas tranquilo", com a certeza de
que se dedicou "ao máximo ao Inep e à educação do país".
Os resultados do Enem só devem sair em fevereiro. Até lá, o MEC
precisa ainda colocar no ar o Sistema de Seleção Unificado
(Sisu). É nessa plataforma que os alunos irão se inscrever para
disputar as vagas nas federais. Segundo o ministro, as chances de
aprovação serão multiplicadas. Mas isso, os estudantes só
poderão conferir no ano que vem
Fonte: site terra educação
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